
Eduardo Raphul, o “Duda”, iniciou sua carreira como produtor e diretor de vídeo e películas abrindo a Start em 2003, em João Pessoa. Tendo a princípio a “humilde” incumbência de cuidar da conta do Pão de Açúcar local, que depois acabou cobrindo todo o Nordeste. Lá, a empresa se deparou com um grande desafio: fazer filmes para o varejo popular, no caso as Lojas Maia, espécie de Casas Bahia do lado de lá. Ele explica que esse mercado nem sempre foi muito lucrativo: “No Nordeste, onde os recursos são escassos e temos que fazer filmes como quem vende tablóides, a linguagem ainda é muito simplista”.
Quando começou, em 1995, em São Paulo, como assistente de direção, tinha cerca de duas horas para produzir e finalizar o trabalho para clientes como o Diário de São Paulo, integrante da carteira da Academia de Filmes, atual Margarida Flores e Filmes. Essa experiência permitiu que Duda conquistasse mais do que o mercado local. Embarcou para Miami, onde fez cursos de aperfeiçoamento, o que permitiu que fizesse trabalhos para um programa local chamado Monstros Corporation. Depois de um tempo por lá e como um bom filho à casa torna, retornou à sua terra natal. Mas não ficou em São Paulo. Acabou indo para João Pessoa, convidado a dirigir uma campanha publicitária do PT, em 2003.
É claro que mesmo com alguns obstáculos, a Start conseguiu se estabelecer por lá, até que vieram para São Paulo, sempre em busca de mais desafios. Novos contatos e muito empenho propiciaram a execução de grandes filmes para grandes clientes, como Malwee, Vodka Slova e Avon. Para acompanhar esse novo mercado, não basta apenas inovar, mas estar sempre antenado às novas tendências de mercado, fazendo cursos e conhecendo como trabalham as grandes empresas.
Blog: Quando a agência solicita um filme, o que ela deve saber a respeito do formato, tempo, tamanho, forma e linguagem?
Duda: Cada filme é um filme, como dizia Glauber Rocha. Tudo vai depender da necessidade do cliente. Se um cliente quiser um filme publicitário ou institucional, o filme poderá ser produzido em vídeo, película ou animação; quanto à linguagem, esta será estudada junto à agência durante o processo de criação, referências e pesquisas de imagens, buscando fazer o melhor junto com agência para entregar um trabalho de qualidade para o cliente.
Blog: Qual a diferença entre um vídeo e um filme?
Duda: Esta diferença entre as imagens de cinema e vídeo fisicamente falando se dá pelas câmeras e pelo material sensível, se diferem também pelo número de quadros rodados por segundo. Quanto à questão estética de um filme, além da profundidade de campo, a resolução da imagem é muito melhor, onde temos muito mais brilho e contraste da imagem, pois são capazes de captar uma gama ampla de tons de claro e escuro. O vídeo hoje vem se desenvolvendo, tentando chegar a uma imagem cada vez mais perfeita de uma maneira digital, mas ainda existe muito vídeo analógico no mercado, que possui uma qualidade inferior à película, mas o seu custo-benefício é melhor.
Blog: O que é levado em conta quando se faz a direção de um vídeo ou filme?
Duda: A intenção do roteiro, o personagem, toda a estética, desde a locação até a arte-final, uma boa equipe de direção e técnica.
Blog: A escolha dos atores deve ser feita pela agência ou pela produtora?
Duda: Para isso não existe um regra. A agência pode já ter um ator definido, assim como a produtora pode fazer um teste de elenco, selecionar os melhores e junto com a agência e o cliente escolher o principal, de acordo com a necessidade do filme.
Blog: Por que o layout é chamado de monstro?
Duda: Layout é um esboço do que será realizado. Já o monstro vem na verdade do significado do nome Frankenstein, na qual fazemos uma amostragem ou colagem de várias imagens de diferentes filmes, comerciais ou fotos, para compormos um formato de vídeo ideal que se encaixe no roteiro criado.