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Archive for junho, 2010

Coca-cola Azul (e mais)

Tem duas coisas que eu respeito muito: o manual de utilização das cores e logos de uma marca e a Coca-Cola. A princípio uma coisa não tem muito a ver com a outra, mas vai fazer sentido, prometo.

No manual, tem todo um conceito embutido de imagem, identidade e de agregar valores tangíveis e intangíveis. A Coca-Cola, por sua vez, é tão boa que eu até ignoro que faça mal à saúde. Até a Vanessa mandar esse link, eu mataria e morreria pela certeza de que a Coca-Cola tem seu logo clássico vermelho e branco e that’s all folks. Mas não. A Coca-Cola pode, eventualmente, ser azul. No tradicional festival de Parintins,  os bois Caprichoso e Garantido tem suas torcidas muito bem definidas e suas representações nas cores azul e vermelho. Ao considerar a importância disso na cultura local, a marca conseguiu autorização para utilizar o logo nas duas variações das cores.

Numa aula sobre cultura organizacional, tive um professor que elaborou por horas a importância de se considerar fatores históricos, técnicos e de osmose geográfica. Taí um exemplo ótimo disso.

E, apesar do meu puxa-saquismo para a Coca-Cola, vale saber que outras empresas também adaptaram seus logos, como o Bradesco e a Eletrobrás.

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Mudando de A para B, queria compartilhar alguns links não relacionados, mas ainda assim interessantes, que pipocaram na minha internet nos últimos dias:

- Orgasmocracia, já ouviu falar? O ginecologista Gerson Lopes acredita que “o direito ao gozo não pode ser substituído pela obrigação de tê-lo. Presa nessa ditadura, a mulher não se solta no processo do brincar e o foco está no resultado (orgasmo) e não no durante. Presa ao ‘fim’ ela não curte adequadamente o ‘meio’, comprometendo o envolvimento afetivo e sexual com o parceiro“. Mulherada, o que vocês acham disso?

- RIP Chatroulette: a gente tentou acreditar no Chat Roulette, mas, como li no Twitter, “you can’t build an empire on dicks” e eis que o site morreu.

- Não basta gostar de cinema, é preciso ficar ansioso para as estréias. Primeiro foi o trailer do filme sobre o criador do Facebook, depois o do polêmico Tropa de Elite 2 e agora é a vez de se apaixonar in advance pelo novo filme da Sofia Coppola, “Somewhere”. Este último compartilho, com suspiros, aqui:

O futuro da música

Qualquer pessoa que nasceu uma, duas ou três décadas para cá concebe a música  disponível num click, tanto que hoje ser DJ não parece tão difícil. Podemos comentar do susto para as gravadoras que foi o Napster e do quanto os direitos autorais sofrem quando a questão é a transferência de arquivos P2P, mas o fato é que música é algo quase visceral, e isso independe de um gosto mais alternativo ou mais mainstream ou do acesso a ela. Nesse processo a médio prazo que veio com o começo do rádio e se ampliou para que cada vez mais as pessoas descubram, compartilhem e escutem o que bem queiram, tudo oscila entre o nebuloso e o claro e a noção de certo e errado fica cada vez mais pessoal. O mais legal, contudo, é a abertura que existe para que todos os pontos de vistas sejam expostos e debatidos.

Diante disto, a Pix e a Remix Social Ideas desenvolveram esse documentário sobre o assunto e suas bifurcações. O resultado, bem bacana, você confere abaixo e os extras, aqui.

Cannes Lions

Cannes Lions é um festival internacional de publicidade que está em sua 57ª edição. Mais que isso, é um convite para uma série de achados, inspirações e referências.

Como o evento está acontecendo do dia 20 ao dia 26 de junho, pipocam links sobre alguns dos cases das várias categorias, como este e este. Nós, enquanto isso, resolvemos compartilhar esse case da Nike, que é parte da campanha Livestrong (lembram quando virou moda aquela pulseirinha amarela?).

Mais de 36 mil mensagem com até 40 caracteres enviadas pelos usuários via SMS e Twitter foram pintadas nas ruas da França e levantaram uma verba de mais de US$ 4 milhões de dólares para a campanha. Cada mensagem era fotografada e enviada ao seu autor com a coordenada de onde estava. Melhor do que tentarmos explicar, é você conferir:

Alguém se lembra de alguma campanha ruim da Nike? Nós também não! Mas, independente disso, no site oficial do festival tem vários outros vídeos de outras campanhas bacanérrimas de outras marcas que, certamente, valem o clique.

Criatividade x Dinheiro

Adam Smith e Karl Marx muito provavelmente teriam mais propriedade para embalar o assunto, mas tomo a liberdade de fazer desse post um quase brainstorm sobre liberdade, criatividade e dinheiro.

Já dizem os mais engajados que a esfera da liberdade só é alcançada depois que suprimos a esfera da necessidade. Isso até é verdade, mas existem sensações mundanas que muitas vezes se aproximam do que, acho ser, liberdade. Isso é bom. Mas, se tudo tem um lado A e um lado B, há também sensações em que nos sentimos escravos da vida e suas obrigações.

Há algum tempo vi esta foto no Flickr:

Repassei para algumas pessoas e recebi de uma amiga, estudante de ciências sociais, a seguinte resposta:

a frase sintetiza o que alguns intelectuais tentam dizer (e praticar).
que aquilo que nos aparece como real, como natural, nada mais é do que criações que nos fazem aceitar sem pensar sobre.
além disso, a correria do dia-a-dia é super conveniente para tirar do indivíduo todos aqueles momentos que ele teria para refletir sobre si, sobre a vida, sobre o mundo.
e, sabemos que, manter a pessoa na esfera da necessidade é a melhor maneira de impedí-la de encontrar a esfera da liberdade.
hoje em dia, somos presos sem algemas. a escravidão social é pior do que a escravidão por raça, coerção ou violência, pois ela aparece como natural, como invisível. se antes éramos escravos por sermos negros, hoje somos escravos por sermos homens e mulheres da sociedade de massa.
por exemplo, soa natural e normal acordar cedo, trabalhar, estudar, pegar ônibus, mas ninguém para, um segundo se quer, para refletir sobre as verdadeiras motivações (ou imposições) que fazem todos os seres humanos se sujeitarem a isso.
essa é a palavra: SUJEIÇÃO.
o indivíduo do mundo atual deixou de ser sujeito da própria história e sujeitou-se às imposições da sociedade.

Só por isso, meus neurônios sobrecarregados já ganharam uma pauta (me digam que o de vocês também, por favor?) e hoje, via Facebook, retomei o pensamento ao me deparar com esse vídeo sobre recompensa financeira x trabalho criativo. Não precisa ser phD em Marx para gostar e, por isso, compartilho:

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Em tempo:

Dica da exposição “Desafiando Sonhos” da Nina Pandolfo rolando em São Paulo.

Insomniacs

Ouvi de um sábio que o sono é uma das únicas coisas que não controlamos ou vencemos. De primeira, concordei. Pensando bem, não. Tal qual o sono te domina, a falta dele, a insônia, também. Não se trata do sono que não vem depois de se dormir muito no dia anterior, não estou falando do entediado que dorme pra acordar e acorda pra dormir. Falo de pessoas como eu e você, que vivem de overdoses de coisas para fazer, coisas a se pensar, coisas, muitas, todas. Arrisco dizer que a insônia de domingo é talvez a mais embriagante. Ela traz consigo a ressaca do final de semana e a paranóia da semana que vai começar. Junto à cobrança do “TENHO que dormir”, vem a noção de que o fato de não dormir já, significa não dormir direito pelos próximos cinco dias úteis que se aproximam.  Tem gente que tem insônia porque comeu demais, gente que tem insônia de ansiedade, gente que tem insônia de culpa. Não importa qual o “tipo” da insônia, o fato é que quando ela chega, ela é dominante. Ela mostra que você não tem o auto-controle que achava que tinha até então.

A revista Bons Fluidos trouxe em uma de suas reportagens dicas de como vencê-la. Se valer o link, tem esse site – o rainymood.com – que simula o barulho da chuva e que, supostamente, vai criar uma ambientização que te poupe de contar carneirinhos. Se sua insônia é mais irritante do que cansativa, talvez o plástico bolha virtual seja mais indicado.

Mas, independente disso, me pergunto: se pode existir o ócio criativo, por que não poderia existir a insônia criativa? O Rodrigo, por exemplo, escreve até o sono chegar. O Fernando Pessoa, também.

Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstração de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo — sei lá salvo o quê… Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo exceto no poder dormir!

Seja qual for sua causa ou seu tipo, me parece humano, demasiadamente humano, compartilhá-la, saber que não sou a única a sofrer disso e ainda ter sorte de encontrar poemas como o acima e músicas como a abaixo que, deduzo, tenham tido a mesma causa e inspiração que as minhas.