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Archive for março 5th, 2010

Difusão e gravidade?

Sem título ID 1284

Sem título ID 1284

A apropriação de fenômenos da natureza como difusão e gravidade pode ser relevante no pensamento das subjetividades…

Estive em uma exposição esta semana que me fez pensar um pouco sobre questões da pintura…

A Exposição em questão está na Galeria Nara Roesler e é do artista Manoel Veiga.

Manoel apresenta uma produção de pintura que se aproxima das “aguadas”, onde os pigmentos se desdobram sem controle, ao sabor dos solventes.

Algo como se uma superfície impregnada de uma matéria pudesse ser transformada pela força de outra mais ativa.

Suas telas nos colocam como observadores de uma “beleza” que surge de processos caóticos, das relações de forças entre os “solventes”, agentes da transformação, e matéria “pigmento”, substancia depositada e arrastada sobre o suporte.

Bem, isto é o que parece e o que aponta após leitura da apresentação do artista de formação técnica na área de engenharia, no material da exposição. Manoel explica que seu trabalho está relacionado com métodos de aplicação de solvente que separam e sedimentam de forma diferenciada os pigmentos pelo peso, entre outras coisas.

Mas o resultado deste processo me pareceu intrigante sobre outro aspecto, não tão técnico.

A superfície das pinturas de Manoel possuem uma característica alinhada às técnicas acrílicas, com áreas de cobertura chapadas, diferentes das superfícies dos processos de tingimentos, que possuem características transparentes, evanescentes e com sobreposições de tons secundários.

Esta observação técnica na pintura de Manoel acabou me mostrando uma surpreendente questão ligada às expectativas do que entendemos por pintura.

É como se eu não pudesse imaginar tal efeito a partir de tal técnica e ficasse com a sensação de que estou sendo enganado na construção da pintura observada…

Esta relação simples entre expectativa e resultado me fez refletir muito profundamente sobre pintura, seus limites e suas potências…

Pensamos em pinturas que reproduzem fielmente uma imagem vista, pintura que no plano bidimensional tentam representar um fato multidimensional, pintura que tenta dar conta do imaginário, do semântico, do metafórico, pintura que tenta elevar o campo de percepção de certas imagens reproduzidas em pinceladas precisas, pinturas, pinturas, pinturas…

No trabalho de Manoel, a superfície não transparente, embora apresente um traçado de pigmentos que se deslocam caoticamente, um agente externo, parece que quer nos sugerir uma construção feita a pinceladas.

É como se Manoel tivesse simulado com um exemplar controle da mão humana o que o solvente “água” faz casualmente com as forças e normas da natureza.

Aí ficamos ali nos perguntando qual foi a mágica humana usada para simulações e o quanto damos importância a forma como as coisas são construídas para entendermos aquilo que nos fascina.

Exposição

MVHD

Artista

Manoel Veiga

Onde

Nara Roesler

Av. Europa, 655 – Jardim Europa – Oeste. Telefone: 3063-234

Quando

Segunda a sexta: 10h às 19h.

Sábado: 11h às 5h.