Esta semana estive no SESC pinheiros – SP para o lançamento da exposição SUJEITO CORPO: o corpo e suas relações com o mundo contemporâneo.
O material exposto no espaço do SESC pinheiros tem como um foco os trabalhos de artistas que buscam atender a uma dinâmica de produção diretamente ligada ao seu corpo. Os trabalhos ali expostos foram selecionados por conter um discurso sobre o corpo.Não falam de sua representação, de como o corpo se apresenta, mas tratam de como o corpo pode aparecer.
Temos ali algo próximo da experimentação de alguns limites físicos.De alguma forma somos colocados na condição de observador deste invólucro vivo alheio.
Estão lá trabalhos de: Adriana Ferla, Carlos Melo, Daisy Xavier, Oriana Duarte, Pazé e Sonia Guggisberg.
Podemos remar, ficar boiando como que a deriva em uma sala com projeções, termos a sensação de suspensão no salto em um piso de areia, deixar o corpo cair e perceber a dureza do chão apenas pela audição, caminhar por prédios e recantos da cidade na forma de um corpo falso ou misturar os corpos de 04 gerações de mulheres nuas de uma só família em um “quase” projeto de making of de uma sessão de fotos.
Este último trabalho é de Daisy Xavier e está apresentado em dois formatos.Duas fotos na parede e uma projeção das imagens deste set de fotos sobre as águas de um pequeno aquário.Percebo que suas imagens pálidas, não são uma tentativa de dificultar a apresentação da intimidade familiar.Acho que a palidez das imagens deixa as formas mais nítidas e sem o natural desvio de atenção para a qualidade óbvia da matéria carne que está ali fotografada.
Daisy não quer mostrar carnes/corpos, quer desenhá-los.Quanto mais pálida fica sua construção sofisticada, mais delicada e nítida fica a imagem revelada.
Nitidez essa, que apaga a foto familiar de mulheres nuas, para revelar um desenho de linhas fortes, feito do encontro das superfícies dos corpos.
Nesse momento, já não importa mais se as nuas são quem são: mãe, filha e neta.
Claro que são as nuas da sua família, sua história, seu repertório mais confortável e mais conhecido.Não fosse esse, um universo bem conhecido de Daisy, não veríamos tanta precisão na exclusão desta materialidade, na quase remoção da matéria pele para deixar apenas as linhas, os planos, transformando-os em desenhos delicados e complexos.Ali está um exercício de revelar o essencial, manter o foco nas linhas do desenho e abrir mão de apelos rápidos.
Gosto de ver o trabalho de Daisy como um caprichoso desenho feito com os enquadramentos roubados das fotos que ela fez de sua família.
Mas isso não mais importa, não está mais lá este registro familiar.
Daisy não é tão primaria na construção de seus desenhos, os cria com ferramentas que quer, com a família que tem, com o cuidado de quem sabe preservar aquilo que lhe é caro, revelando sempre algo bem construído e também muito potente.
Abaixo temos uma pequena amostra do trabalho de Daisy Xavier.
Esta semana estive no SESC pinheiros – SP para o lançamento da exposição SUJEITO CORPO: o corpo e suas relações com o mundo contemporâneo.
O material exposto no espaço do SESC pinheiros tem como um foco os trabalhos de artistas que buscam atender a uma dinâmica de produção diretamente ligada ao seu corpo. Os trabalhos ali expostos foram selecionados por conter um discurso sobre o corpo. Não falam de sua representação, de como o corpo se apresenta, mas tratam de como o corpo pode aparecer.
Temos ali algo próximo da experimentação de alguns limites físicos.De alguma forma somos colocados na condição de observador deste invólucro vivo alheio.Estão lá trabalhos de: Adriana Ferla, Carlos Melo, Daisy Xavier, Oriana Duarte, Pazé e Sonia Guggisberg. Podemos remar, ficar boiando como que a deriva em uma sala com projeções, termos a sensação de suspensão no salto em um piso de areia, deixar o corpo cair e perceber a dureza do chão apenas pela audição, caminhar por prédios e recantos da cidade na forma de um corpo falso ou misturar os corpos de 04 gerações de mulheres nuas de uma só família em um “quase” projeto de making of de uma sessão de fotos.
Este último trabalho é de Daisy Xavier e está apresentado em dois formatos. Duas fotos na parede e uma projeção das imagens deste set de fotos sobre as águas de um pequeno aquário.Percebo que suas imagens pálidas, não são uma tentativa de dificultar a apresentação da intimidade familiar.Acho que a palidez das imagens deixa as formas mais nítidas e sem o natural desvio de atenção para a qualidade óbvia da matéria carne que está ali fotografada.
Daisy não quer mostrar carnes/corpos, quer desenhá-los.Quanto mais pálida fica sua construção sofisticada, mais delicada e nítida fica a imagem revelada. Nitidez essa, que apaga a foto familiar de mulheres nuas, para revelar um desenho de linhas fortes, feito do encontro das superfícies dos corpos.
Nesse momento, já não importa mais se as nuas são quem são: mãe, filha e neta.Claro que são as nuas da sua família, sua história, seu repertório mais confortável e mais conhecido.Não fosse esse, um universo bem conhecido de Daisy, não veríamos tanta precisão na exclusão desta materialidade, na quase remoção da matéria pele para deixar apenas as linhas, os planos, transformando-os em desenhos delicados e complexos.Ali está um exercício de revelar o essencial, manter o foco nas linhas do desenho e abrir mão de apelos rápidos.
Gosto de ver o trabalho de Daisy como um caprichoso desenho feito com os enquadramentos roubados das fotos que ela fez de sua família.Mas isso não mais importa, não está mais lá este registro familiar. Daisy não é tão primaria na construção de seus desenhos, os cria com ferramentas que quer, com a família que tem, com o cuidado de quem sabe preservar aquilo que lhe é caro, revelando sempre algo bem construído e também muito potente.
Abaixo temos uma pequena amostra do trabalho de Daisy Xavier.

Pra quem quer mais, vale a visita ao SESC Pinheiros ou um pulo na pagina da galeria que a representa no Rio http://www.lauramarsiaj.com.br/
SUJEITO: CORPO – 09/01/2010 a 14/03/2010
Terça a sexta, das 10h30 às 21h30 Sábados, domingos e feriados, das 10h30 às 18h30- SESC Pinheiros – Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros - São Paulo – SP – telefone: 11 3095-9400