Depois do SOPA: a guerra pela internet livre
Na semana passada, no auge dos protestos contra o SOPA, alguns políticos já sentiam o tamanho da bronca e retiraram seus nomes do hall de apoiadores do projeto. Dois dias depois, podemos dizer que a internet venceu. Lamar Smith, seu principal apoiador, abandonou a causa alegando “falta de consenso maior”, de modo que o projeto foi arquivado (ou, em outras palavras, adiado indefinidamente).
Isso não quer dizer que as gravadoras se convenceram, nem que deixaram de chamar de ladrões todos os que realizam downloads. Sobre isso, vale conferir algumas aspas de Lamar aqui, aqui, aqui e aqui. Uma delas vale a pena destacar: “Está claro que precisamos rever nossa abordagem para chegar na melhor maneira de lidar com o problema de ladrões estrangeiros roubando e vendendo produtos e invenções americanos.”
Nesse meio tempo, o FBI tirou do ar e prendeu os responsáveis pelo Megaupload, um dos maiores sites de compartilhamento do mundo. Circula a informação de que um dos fundadores do site foi condenado a 50 anos de prisão (enquanto que Miguel Carcãno, acusado de assassinato, estupro e ocultamento de cadáver foi condenado a 20, deixando a provocação: a vida vale menos do que direitos autorais?). Como conhecimento geral, vale saber mais sobre um deles, Kim Dotcom Schmitz, aqui.
Mas o grande nome desta guerra é outro: Anonymous. Os hackers se entitulam como defensores da internet livre e, em reação a atitude do FBI, acataram sites do governo dos EUA e liberou o download de músicas e filmes da Sony.
Os interessados podem acompanhar as atualizações dos hackers nos Twitters @youranonnews e @anonops. Apropriando-se de “V de Vingança” (onde um povo não deve temer seu governo e sim seu governo temer o seu povo), o grupo disponibiliza alguns vídeos explicativos e aos poucos estão invertendo a imagem de “errados” para “heróis”.
Que isso não é o fim da história, dá para deduzir. As atenções agora se voltam para outra sigla: ACTA – Anti-Counterfeit Trade Agreement. Também se trata de um projeto de lei anti-pirataria e, aparentemente, mais perigoso do que o SOPA. Mais europeu do que americano, mas ainda assim uma ameaça global, um dos diferenciais é que este projeto não é “aberto ao público”. Saiba mais aqui e no vídeo abaixo, em inglês.
Para por mais lenha na fogueira, vale ler os discursos do executivo da Sony Music sobre o crescimento do mercado digital de música (o Brasil, inclusive, ocupa posição de destaque) e do vice-presidente da MPAA – Associação Cinematográfica dos EUA, que é pontual: democratizar a cultura não é “nosso” interesse.
Nosso desejo permanece: que o assunto chame a atenção tanto quanto Luizas, “Ui…” e frases de impacto e não caia no esquecimento (afinal, a internet é, entre tantos títulos, uma avalanche de histerias curtas).















